quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Inferno Astral??


O dia estava lindo, acordei de muito bom humor algo muito raro de acontecer e me achando linda, algo ainda mais raro de acontecer quando se acorda. Dei uma olhada no celular e resolvi finalmente levantar da cama. Escolhi a roupa para trabalhar e assim que comecei a colocar a blusa, tentei arrumar a manga que tava meio torta e veio um nocaute, isso mesmo, bem no meio do queixo, minha mão soltou da blusa e foi direto no meu queixo, e sim, doeu "pra caramba", mas não foi o suficiente para acabar com meu bom humor.

Logo depois, meu irmão me deu uma carona até o trabalho, passei na padaria para comprar um café, dei bom dia para a mocinha da recepção do prédio aonde trabalho, peguei um jornal e entrei no elevador. Assim que ele chegou no andar, tudo escuro, as portas não se abriram e eu fiquei lá, por um minuto, tentando entender o que tinha acontecido. Estava presa, no escuro, com um café quente na mão num copinho de plástico, olhando para a porta que não se abriu. Peguei o celular e liguei para a moça da recepção que mandou um cara me ajudar a sair de lá. E saí, depois de uns 10 minutos, tentando abrir a porta e com o moço me dizendo que não conseguia abrir mas que ia abrir pelo sexto andar.

_ Hélinho, mas como você vai abrir pelo sexto andar se não tem energia?

Eu estava no quinto andar, tentando entender como ele ia fazer essa façanha e aí a porta simplesmente abriu, e eu saí para a minha liberdade. Eu sempre falo para as pessoas que se algo vai dar errado, elas não precisam se preocupar, porque vai ser comigo. Se uma barata voar, ela irá de encontro com a minha cabeça, eu vou estar no elevador quando acabar a energia e vou conseguir me dar um nocaute tentando arrumar uma simples blusa, pessoas que eu nunca vi na vida vão me confundir com alguém ou vão começar uma conversa falando do seu passado ou futuro do nada. Eu tenho pena do meu Anjo da Guarda, mas o que eu posso fazer?. E sim, eu acredito em anjos, do contrário como poderia estar viva ainda?. Só um Anjo muito bom.

Você deve estar no seu Inferno Astral, uma amiga falou. Depois de um período em que tudo vai indo bem e dando certo, você acorda um dia e "puft", dá tudo errado, um período de azar e turbulência passam levando tudo, até a energia da quadra aonde você trabalha. E eu ri, ri muito na verdade, porque não é uma fase em que aparece uma turbulência ou outra. E para dizer a verdade fui pesquisar e dizem que nosso Inferno Astral é no mês que antecede o nosso aniversário, e o meu é daqui três meses. E como explicar a testa que eu bati na porta da geladeira na semana passada, ou a queda que levei no meio da rua mês passado, e no mês anterior, e anterior e anterior ao anterior?.

As pessoas que me conhecem já esperam minhas "estabanadíces", frases como "só você mesmo Ju" é dita o tempo todo para mim. Inferno Astral ou estabanada ou fase ou momento ou falta de atenção, como queiram chamar, já faz parte do meu dia a dia. E eu não deixo que isso influencie no meu humor, no meu caminho, pelo contrário, eu dou risada e faço com que os outros se divirtam um pouquinho também com essa coisa louca que é ser Eu. E é por isso que compartilho, ás vezes o outro só precisa de algo que o faça rir. 

A diferença do Inferno Astral para uma Gargalhada é o jeito que você vê e lida com o que está acontecendo no seu dia, se é uma turbulência ou uma brisa refrescante, se é mesmo azar que você ta tendo ou um leve atraso para que ali na frente não aconteça algo pior, sabe aquele momento que você percebe que se tivesse saído 10 minutos antes você é que teria sido assaltado ou sofrido um acidente ou pego o avião que caiu?. O que você tira das coisas pela qual passa é que faz essa diferença, que separa pessoas pessimistas de pessoas otimistas, que vai deixar uma ruga por franzir a testa ou uma ruga do sorriso que traz no rosto. Só você pode escolher entre aguentar mais um dia ou vivê-lo, bom humor ou mau humor? E tudo meu amigo, minha amiga que se coloca fé, mesmo que só um pouco, arranja um jeito de dar certo no final, mesmo que no primeiro momento esteja escuro e as portas fechadas.



quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Pode demonstrar sim!!!


Dizem por aí que a Cultura do Desinteresse é o câncer da nossa geração e eu tenho que concordar. Eu esbarro em tanta gente interessante, alegre, trabalhadora, guerreira que parece murchar e perder toda a confiança em si, quando começa a gostar de uma pessoa. Não sabe como agir, se deve ligar ou chamar para sair, se pode dizer que está com saudade e o principal, não sabe se deve demonstrar que gosta de verdade de alguém.

Não crie expectativas, provavelmente não vai dar certo. Não ligue no dia seguinte, não mande mensagem de bom dia, a pessoa vai se achar demais, vai ver que você está caidinho por ela e vai perder o interesse. Homem não gosta de mulheres boazinhas, gostam daquelas que pisam, que são grossas, que não mostram interesse algum, são dessas que eles vão correr atrás. Se ele ligar no dia seguinte, cuidado pode ser daqueles caras grudentos, românticozinhos.

Ta aí, nossa Cultura do Desinteresse. Não se interessar ou fingir não estar interessada é a onda do momento. Se interessar, demonstrar afeto, na nossa geração, parece ser sinônimo de fraqueza, um erro brutal no guia das paqueras. E quem é que quer ter um fraco ao seu lado, não é mesmo?!. E aí, fica nesse jogo interminável, nessa queda de braço sem fim de quem aguenta mais, de quem finge mais, de quem esconde mais, por puro medo. E quem é o fraco agora?.

Parem de ter medo de demonstrar, o mundo precisa de pessoas corajosas. E coragem, meu bem, é não ter medo de chamar aquela garota que pega o elevador toda manhã com você para tomar um café. Coragem, é mandar uma mensagem de "Bom dia, adorei ter te conhecido" para aquele carinha que fez de tudo para que a noite de vocês fosse especial. Coragem, é ligar para ela no dia seguinte e dizer que quer sair hoje, amanhã e depois. Coragem, é convidar aquele amigo do trabalho para pegar um cineminha mais tarde.

Coragem é fazer o que o coração ta pedindo, sem pensar duas vezes, é se jogar de cabeça. Então pode mandar áudio de cinco minutos sim, pode ligar assim que chegar em casa só porque sentiu vontade de falar um pouquinho mais, aparecer com alguns amigos e fazer uma serenata na minha janela de madrugada, dançar sem ritmo nenhum só para não me deixar sozinha na pista de dança, chorar assistindo aquela comédia romântica. Pode pedir um, dois, três, quatro beijos e porque não segurar minha mão bem forte, liga para me desejar bom dia, boa tarde, boa noite. 

Deixa seus olhos brilharem quando encontrar com os meus, me puxa e me abraça apertado porque demonstrar é para os fortes e a vida passa rápido demais para perdermos oportunidades, a vida passa rápido demais para vivermos num eterno faz de contas e se preocupar com que os outros pensam. E quando você finalmente perceber isso, pode ser tarde demais para correr atrás, para consertar as coisas. E nesse jogo, perde na verdade, quem por medo ou receio deixou de Amar, deixou de dar ou receber Amor.

Já imaginou como o seu vizinho seria, como o padeiro seria, como seu porteiro seria, como a mulher da vendinha seria, como sua melhora amiga seria, como seu chefe seria, como o segurança da festa seria, como todo mundo seria num mundo em que demonstrar Amor fosse mais importante que fingir não senti-lo??. 


quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Amor Amigo


E estavam os dois ali sentados na sala, de frente para a televisão, tentando focar no jogo das meninas, sorrindo meio sem graças, conversas lembrando nossa adolescência, os caminhos percorridos até ali. Tentei olhar algumas vezes com mais atenção, tentando saber o que eu tinha perdido, qual detalhe eu deixei passar despercebido que não me dei conta que já tava ali estampado naquele olhar, que irradiava aquele sorriso no rosto dele.

Ele contava todas as aventuras pelo que ele passou e eu sorria, não conseguia não sorrir ouvindo a voz dele. Foi desmiuçando ali toda a vida dele, tudo que perdi, que não estava perto, que nunca imaginaria que ele tivesse passado. E eu ali, tentando decifrar o que tinha nos levado aquela noite, aquele sofá. Ele continuava a falar empolgado, do emprego que tanto gostava, das corridas em lugares inimagináveis, em ter se desdobrado em mil para chegar numa cidadezinha que não estava no mapa.

Os gritos empolgados do locutor fizeram que eu mudasse minha atenção para um quase gol, ele se levantou e perguntou se eu queria algo. Não deu tempo de responder, quando dei por mim ele tava ali, me beijando, um beijo tão carinhoso, com tanto desejo, parecia esperar por aquilo a séculos e mesmo assim não apressou o momento, não intensificou nada, estava ali dando o melhor de si, com calma, parecendo aproveitar cada centímetro da minha boca.

E o tempo parou, não conseguia pensar em nada, a cabeça não funcionava, a cada toque minha mente se perdia. Até que a gente se olhou, confusos, uma confusão boa não posso negar, tantos anos nos falando, nos cumprimentando, nos divertindo, jogando, curtindo as fotos um do outro, comentando, ajudando, incentivando e nunca, em nenhum momento passou pela minha cabeça que a boca dele encontraria a minha.

E quando ele sussurrou que eu não tinha noção há quanto tempo ele queria que isso tivesse acontecido fiquei mais perdida ainda. E mil perguntas estavam ali, na minha cara, e ele só sorriu, abaixou os olhos e constatou que eu não tinha mesmo, noção alguma do que ele falava. E veio outro beijo, mais intenso, com mais sede para afirmar as palavras dele. 

E eu fiquei ali, boba, pensando como a vida é engraçada, como dá uma reviravolta maluca e esfrega na nossa cara aquela pessoa que sempre esteve ali e você nunca enxergou de verdade, a pessoa que você pedia tanto para encontrar, para mudar seus dias, para segurar sua mão, para te abraçar forte, tava ali ao seu lado, o tempo todo.


quarta-feira, 27 de julho de 2016

Se esforce um pouquinho mais


Estava conversando um dia desses com uma pessoa e ela me perguntou o que eu achava que era o problema dos relacionamentos hoje em dia. Eu respondi que achava que os homens estavam inseguros demais e que as mulheres estavam afoitas demais, as duas coisas não se encaixam, não combinam, não se acertam.

É preciso calma para se conhecer uma pessoa, para saber se é ela com quem você quer passar suas noites de sábado e suas tardes de domingo, eu entendo isso, todos nós entendemos. Não se decide isso num jantar, numa balada pop rock, no escurinho do cinema, no piquenique no Parque. É preciso mais alguns encontros, mais risadas, saber mais daquela pessoa que se vira em duas para estar ali com você, que não se importa de segurar a pizza num pedaço de guardanapo.

O que não se pode é levar um ano inteiro tentando descobrir se é a pessoa certa para você. E quando chega a pergunta que não aguenta mais a espera, se você quer um relacionamento ou não, vir uma resposta ainda cheia de dúvidas. Há uma pessoa ali, que entregou seu tempo de bandeja, que fez de tudo para que as coisas se encaixassem, dessem certo e merece respeito, no mínimo uma resposta decente da outra parte.

Sinto saudade da época em que as pessoas tentavam se conhecer de verdade, dar risadas juntas, passar pela tensão de ter que conhecer a família do outro, os pais do outro, dos convites para ver um filme ou para sair para dançar, da conversa olho no olho dentro de uma lanchonete, da coragem do carinha de em uma ou duas semanas saber o que queria, que queria você e já tava lá com uma caixinha com duas alianças prateadas dizendo "namora comigo?" e do sorriso sem graça e feliz estampado no rosto dela.

Parece que o simples ficou complicado, que o gostar de alguém leva com ele mil questionamentos, um manual de cem páginas a se seguir e uma lista de exigências a se cumprir. Que mesmo que aquela pessoa pareça incrível, com certeza vai ter algo de errado, é bom demais para ser verdade, vamos esperar mais um pouco até que essa máscara caia.

E nada, nada é mais importante que saber no que que ela trabalha e aonde ele mora. Olha você é uma pessoa incrível, mas mora muito longe de mim, vamos parar por aqui. Não há uma espontaneidade no assunto, você não quer saber qual a cor preferida dele, se ela prefere rock ou samba, qual o livro mais bacana ele leu, se os signos de vocês batem, se ela é aventureira ou mais caseira, se ele sabe dançar ou é daqueles que pisam no pé, se ela acorda de bom humor ou mau humor, qual o esporte favorito dele, qual a viagem mais fantástica que ela fez. Não, o mais importante é se eu vou levar dez minutos ou trinta minutos da sua casa até a minha.

Que bom seria se o único interesse existente ali, dentro de um possível relacionamento fosse a preocupação se o beijo vai bater, se ele vai querer ir assistir filmes de drama com você, se ela não vai se importar de você estar usando uma camisa meio amarrotada no primeiro encontro, se ela tem alergia a camarão, qual a série que ele mais curte.

Dê uma chance, sem pré julgamentos, tente conhecer realmente aquela pessoa, se disponha a isso, se esforce um pouquinho mais em dar Bom dia, em saber como o outro está, em convidá-la para jantar, em abrir a porta do carro, em agradecê-lo pela ótima companhia e conversa, abra o coração para aceitar alguém sem medo, sem receio de que tudo desmorone. E surpresas muito boas podem atravessar o seu caminho, pessoas incríveis podem passar e querer ficar.   



quarta-feira, 20 de julho de 2016

Ponte dos Segredos...


Me disseram que bastava apenas um "click" naquele cadeado, que depois de fechado e jogada a chave dentro do rio, aquela ponte guardaria para si todos os segredos, amores, mistérios, pedidos que enchiam o meu coração, que me sufocava. Aquela ponte e aquele cadeado me livrariam de tudo o que não era bom, de tudo o que apenas foi, não é mais, de todos os segredos que pesavam mais e mais.

Ele olhou dentro dos meus olhos e perguntou se eu estava preparada para deixar tudo para trás, toda uma bagagem cheia de histórias que pesavam em minhas costas. E eu sorri, porque nunca achei que estivesse tão pronta para qualquer outra coisa. E eu fiquei ali, olhando para aquele cadeado em minhas mãos, que continha os seguintes dizeres "Os segredos da Ju".

Em minhas mãos o cadeado parecia pesar uma tonelada, guardava nele todas as coisas que eu não tinha conseguido conquistar, todas as amarguras que a vida deixou se instalar, todas as frustrações, todos os medos e receios, cicatrizes de um coração partido diversas vezes, todas as mentiras ouvidas, todos os olhares que me julgavam, arrependimentos de tudo que deixei de fazer ... Estava tudo ali, pesando tanto que mal conseguia aguentar.

Parei para apreciar a vista, era uma vista linda e cheia de esperança. Baixei os olhos e reparei em todos aqueles cadeados e me perguntei quanto de sofrimento havia ali, quanto sofrimento as pessoas deixaram para trás, quantos segredos, quantos amores, quantas vidas, quantos sonhos. Passei o cadeado pela grade, li novamente a frase ali e o "click" veio em seguida. Peguei a chave, apertei bem em minha mão e a joguei no rio, o mais forte que pude, para que ela fosse parar bem longe de onde eu estava, com a intenção de que ninguém pudesse encontrá-la, jamais.

E eu senti uma brisa passar pelo meu rosto, uma brisa que trouxe o alívio de deixar tudo para trás. E uma lágrima caiu, a última lágrima que eu deixaria cair daquele momento em diante. Daquela ponte para frente prometi a mim mesma não ter mais segredos, correr atrás de todos os meus sonhos, amar com toda a força do meu coração primeiro a mim e depois outra pessoa, sorrir mais e olhar mais para as pessoas a minha volta, ser mais solidária e atenciosa, abraçar bem forte todas as pessoas importantes, cantar não apenas no chuveiro e dançar como se o dia não tivesse fim, olhar dentro dos olhos do outro em uma conversa. Uma infinidade de expectativas e uma vida nova nasciam ali.

Ele entrelaçou os dedos nos meus e ao ver o meu sorriso também sorriu, sabia que ali naquela ponte saía outra pessoa, uma pessoa mais leve, uma pessoa mais feliz, uma pessoa com sonhos e disposta a concretizá-los. 

Qual frase estaria no seu cadeado? Já não passou da hora de você ouvir um "click" e jogar a chave para bem longe de você? 


quarta-feira, 13 de julho de 2016

Cartas de Amor


E eu estava ali de boca aberta, sem conseguir acreditar no que eu estava ouvindo, sem acreditar que ainda existe algo tão apaixonante e lindo de se ouvir, sem acreditar nos olhares que aqueles dois trocavam, tão intenso e tão meigo ao mesmo tempo, enquanto confessavam que se escreviam, que escreviam cartas um para o outro e que aquilo mantinha aceso todo o Amor dos dois.

Sete anos eles me disseram, sete anos que estavam juntos. E aí você imagina que é um casal que já está lá por volta de seus trinta, trinta e cinco anos, mas não, eram bem mais jovens ainda, na casa dos vinte e poucos. Se conheceram no colégio e estão juntos por sete anos, o olho dela brilhava ao falar. Claro que depois de términos e algumas brigas, mas ainda estavam ali de pé.

Ela deu um sorriso meio sem jeito e disse que ainda sentia frio na barriga ao esperar pelas cartas, frio na barriga de saber que iam se encontrar no fim de semana. E eu ali, no meio das confissões ainda tentando entender, como depois de sete anos ela ainda sentia frio na barriga esperando por ele. Ela me falou isso depois que perguntei, como era estar com alguém por tanto tempo, como fazia com a monotonia, como não cansar e jogar tudo para o alto e ela soltou assim, sem nem pensar, "eu ainda sinto frio na barriga quando sei que vamos nos encontrar".

E ele, atrás das lentes de uma câmera soltou "nós nos escrevemos, escrevemos cartas um para o outro", e o olhar dele para ela era de se derreter. Então me falaram, que o faziam com uma certa frequência, que quando ele demorava por algum motivo, ela puxava a orelha dele e cobrava. O mais interessante foi ouvir da boca de uma moça de vinte e dois anos que nós perdemos muito por não falarmos o que queremos, "eu não entendo porque ficamos com esse receio bobo de falar para o outro do que gostamos, o que queremos, de sugerir, de pedir. Se perde tanto com isso".

Se perde mesmo, olha que incrível, eu por exemplo adoro escrever e nunca pensei em escrever para alguém, a não ser num cartãozinho colorido de aniversário. E o receio, como temos receio de falarmos para o outro tudo o que queremos, nos deixamos levar por um "ficar" eterno com medo de que se falar para o outro que queremos um relacionamento sério, ele desista. Deixamos de sugerir mudanças que poderiam ter salvado um casamento. Interrompemos falas que poderiam ter acabado com algumas lágrimas. Conversas nunca tidas que poderiam ter salvado uma amizade.

E cartas, quantas cartas poderíamos ter mandado para alguém que realmente importa na nossa vida?. Meus pais chegaram a se escrever, lembro que minha mãe comentou certa vez. O quanto eles estão perdendo por não fazerem mais isso?. Quanto estamos perdendo em não experimentar as palavras de alguém, em nos podar sobre o que queremos e o que realmente nos faz feliz?!. 

Aqueles dois, tão jovens e ao mesmo tempo com uma bagagem imensa a minha frente, me fizeram compreender como deixamos, perdemos momentos incríveis por medo, por omissão, por deixar de... Me fizeram acreditar que tudo pode dar certo, que podemos encontrar uma forma de desviar do cansaço, da monotonia, das coisas ruins, simplesmente falando ao outro, mostrando ao outro como ele pode nos fazer feliz. Como uma simples carta pode trazer de volta aquelas borboletinhas que estavam apenas escondidas em algum lugar.

Então, você já está com papel e caneta em mãos?!. Preparado para Viver Cartas de Amor?.


Uma música para o Casal <3

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Pessoas Gostosas


Nós esbarramos em pessoas gostosas o tempo inteiro, em todo lugar. Pessoas gostosas sorriem, aquele sorriso estonteante que te dá vontade de sorrir junto mesmo sem saber o motivo inspirador de tal ato. Elas se misturam a multidão e mesmo assim parecem se sobressair de alguma forma. Você a vê numa fila, sentada num banco, montada numa bicicleta, atrás do volante de um carro e dá para notar, algo se irradia de dentro para fora, você bate o olho e fala, essa é uma pessoa gostosa.

Pessoas gostosas tem o dom de um bom papo, sobre qualquer coisa, em qualquer lugar, com qualquer pessoa, tudo flui naturalmente. A conversa sobre uma receita nova, uma cerveja especial que experimentou, uma cena de uma novela, a lição de um professor na sala de aula, o gosto de uma fruta nunca provada antes, a bronca levada da mãe pela louça deixada na pia, a palavra nova aprendida em uma língua diferente, qualquer coisa, qualquer coisa mesmo vira um assunto agradável de se ter com pessoas assim.

Pessoas gostosas, mas bem gostosas mesmo sabem como transmitir sentimentos, são fiéis em suas amizades e conselhos, não se preocupam em falar Eu te amo, não têm vergonha de parecer piegas numa declaração de amor, daquelas de gritar aos quatros ventos. Não têm vergonha de pular uma amarelinha imaginária no chão, sabe a hora de estender a mão àqueles que por algum motivo não conseguem se levantar sozinhos.

De uma forma diferente o mundo passa aos seus olhos num deleite de dar inveja, de querer ver, de tentar sentir dessa mesma forma. Pessoas gostosas saboreiam a vida, sem deixar escapar nenhum pedacinho, passando por todas as camadas numa intensidade absurda. Se sentem confortáveis em qualquer posição até mesmo de cabeça para baixo, as posições ajudam a ver ângulos que talvez não se enxergariam olhando numa linha reta.

É impossível pessoas gostosas passarem despercebidas por nossas vidas, o olhar delas parece nos fazer mergulhar no mais fundo dos oceanos e nos fazer viajar no mundo infinito que lá está. Pessoas gostosas sabem escutar e por algum motivo soltam todas as palavras certas para ajudar, sabem o momento exato de falar. Pessoas gostosas conseguem nos emocionar com um passar de dedos em nossos cabelos, com uma bela canção, com o entusiasmo crescente escrito num poema deixado no muro de uma rua qualquer.

Pessoas gostosas gostam de eternizar bons momentos dentro da memória e de vez em quando em câmeras de celular. Gostam de mostrar formas diferentes de se dar Bom dia, de comer coxinha, de beber um vinho bom. Pessoas gostosas gostam de se sentir livres ou na verdade já o são, aquela liberdade que não deixa de se prender ao incrível, ao sensacional. Despertam as mais puras vontades dentro do nosso coração.

Pessoas Gostosas nos fazem querer ser Gostosos também.